Sussurros do coração aqueceu meu coração

 

Imagem da animação "Sussuros do coração". Garoto japonês de cabelo azul escuro com avental segura violino e o toca. Garota japonesa com cabelo curto e castanho de boca aberta cantando ao lado do garoto.

    Essa semana revi Sussurros do coração (Mimi wo Sumaseba, 1995). Já faz muitos anos que assisti pela primeira vez, e estava em uma fase totalmente diferente da vida. Na época, os sussurros realmente ressoaram no meu coração. Agora decidi rever despretensiosamente, apenas para passar o tempo e mostrar algo novo à minha mãe. Quem diria que mais uma vez os sussurros chegariam tão altos até mim. 

    O filme conta a história de Shizuku, uma garota que está finalizando o ensino fundamental e passa a maior parte do tempo lendo. Um dia, fica curiosa com um nome que sempre se repete na lista de empréstimo dos livros que ela pega: Seiji Amasawa. Com isso ela inicia uma série de fantasias sobre quem seria essa pessoa e o motivo de ele ter pegado todos os livros que ela lê antes dela. Eventualmente, Shizuku conhece e se aproxima de um garoto que sonha em ser um construtor de violinos, assim se intensificam pensamentos e dúvidas sobre o que ela tem feito da vida e o que fará. A história se passa em volta das incertezas e busca de sentido, além do desenvolvimento de quem ela é. Para não contar toda a história do filme, pararei por aqui, apesar de já ter contado bastante. Isso porque ele não conta com grandes aventuras e reviravoltas narrativas inesperadas, “apenas” acompanhamos o dia a dia de Shizuku, seu percurso em busca de um caminho para trilhar e uma identidade a construir. 
    O que me encanta é justamente isso, a simplicidade ao mostrar os sentimentos honestos de uma adolescente que se frustra e se põe para baixo acreditando que talvez ela não tenha nada de especial, mas também a determinação que ela alimenta em busca de construir esse caminho pedra a pedra.
Imagem da animação "Sussurros do coração". Garota japonesa de cabelo curto castanho sentada em uma mesa escrevendo.

    Quando vi mais nova, é claro que isso me tocou, afinal, assim como ela, eu era uma jovenzinha pensando em como tomar decisões, me sentindo insegura se aquelas que tinha tomado até o momento estavam coerentes com o que eu gostaria de viver. Quando somos novos, costumamos fazer milhares de planos sobre as coisas que irão acontecer na nossa vida, como vamos ser, o tipo de casa em que iremos morar, qual profissão vamos seguir. Mas no dia a dia a vida só pode ser conhecida ao ser vivida, e muitas vezes esses planos não acontecem, ou quando ocorrem, vêm de uma forma diferente do que planejamos, por vezes também em momentos diferentes.
    Eu, assim como várias pessoas (suponho), criava diversos cenários de como eu seria na idade que tenho e admito que ainda faço isso com as que virão. E com certeza não sou quem esperava ser, meus planos só se concretizaram em uma pequena parcela, em compensação, estou fazendo várias outras coisas que não dediquei horas de sonhos acordados, mas que têm sido experiências ricas e transformadoras. Imagino que será igual nos anos seguintes. 
    Fiz esse pequeno texto para compartilhar e lembrar a mim mesma que fazer planos é sempre bom, nos esforçar para o que almejamos é fantástico, mas abraçar as experiências que vivemos, mesmo que sejam diferentes do que idealizamos, é essencial.

Comentários

Alimente a Eva Doce🌼

It's tamaNOTchi! Click to feed!

Seguidores 🌼