Mudança de rotina e persistência


Fotografia de duas flores cor de rosas em um pequeno galho, elas estão um pouco murchas.

    Em meio a tantas preocupações em relação ao mestrado, acabei entrando em um contexto que me trouxe novas. Iniciei meu primeiro emprego! Se por um lado fiquei feliz de ter minha primeira experiência, por outro fiquei extremamente ansiosa e cheia de medos. Tudo ocorreu tão rápido, nos primeiros dias sentia ansiedade tomando conta de mim inteira, não conseguia comer bem, dormia mal e chorava tentando achar forças para continuar. Quem diria que algo tão simples poderia desencadear tantas crises de ansiedade. Me disseram “então cancela o contrato”, a vontade que eu tinha era imensa, não por achar ruim o trabalho em si, mas por estar afundada em ansiedade. ~

    No fim, me abracei ao que trabalhei anos antes em terapia e ao que tenho buscado para minha vida, a aceitação. Aceitar que a ansiedade em um novo emprego é comum, que terei medos e que talvez não soubesse tudo o que fazer de início, mas passei anos estudando e o que não soubesse ainda poderia aprender. Aceitar que em uma vida de fugas, se fugisse mais uma vez eu talvez continuasse fazendo isso para o resto da vida. Se tem algo que sou boa é fugir, invento as melhores desculpas, inclusive para mim mesma, mas dessa vez senti que podia mudar, podia fazer diferente. Não esperei a ansiedade ir embora para seguir meu caminho, apenas segui, não lutando contra ela, mas caminhando com ela. 

    Há poucos dias fez 2 meses que iniciei, apesar de ter momentos que gosto muito e sinto que meu trabalho faz a diferença, tem sido difícil. Conciliar trabalho e estudos é cansativo, penso em tantas outras pessoas que fazem isso e sinto vontade de confortá-las de algum modo, então penso que posso fazer o mesmo comigo. Ser paciente, gentil e me fornecer autocompaixão quando a ansiedade e o cansaço vêm. Muitos dias apenas passam, outros eu me sinto grata por estar experienciando algo novo e em outros eu sinto muita vontade de desistir dessa rotina. 

    Com essa mesma rotina deixei de fazer muito do que gosto, parei de desenhar, de escrever por aqui e em outros locais. Mas isso tem se tornado pesado e se tornou mais pesado ainda agora que descobri que estou doente e preciso de tratamento. Então vim aqui mais uma vez, em busca de me libertar da rigidez, escrever de forma boba e sem grandes preocupações com clareza, coesão, pontuação e tudo que preciso cuidar quando estou trabalhando ou estudando. Em busca de um respiro para essa eu cansada.



Comentários

  1. Nossa, eu sinto que preciso te falar isso, porque passei por uma mudança de rotina ultimamente, e aprendi algo que mudou pra mim, as vezes te ajuda com alguma coisa.

    O que acontece, quando estamos fazendo uma coisa nova, uma rotina nova, emprego novo (emprego novo é sempre muito desafiador), nosso cérebro precisa criar novas sinapses entre os neurônios. Só que esse processo gasta muita energia e nosso cérebro é feito para economizar o máximo de energia possível.
    Daí o que ele faz, ele começa a enviar sinais, que a grosso modo, traduzem como "não é pra mim", "não tá funcionando", "tô cansado", "quero desistir/fugir", e pode até enviar estímulos que desencadeiem sintomas de ansiedade, porque justamente ele quer que você pare, pra você economizar energia mental! Por isso essa sensação de "quero isso, mas tô exausta". Mas não é culpa sua, ou algum defeito seu, ou alguma coisa do gênero, se chegou a pensar algo assim. É algo que eu diria que é até normal.

    Mas o pulo do gato, tá justamente na constância. Quanto mais você continua, mais seu cérebro termina de formar as sinapses necessárias e o processo de aprendizado de rotina como um todo, fica mais fácil. E ele aos poucos, ele vai parando de enviar essas sensações ruins.

    Então no mais, faz o que você disse, coloca a ansiedade do lado e segue em frente. Todo processo é difícil. E espero que você consiga!

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    1. Obrigada por me escrever, Niara! Obrigada também pelo que disse, eu entendo e concordo com tudo. Suponho que você também deve viver algo similar, ou já viveu. No fim, ansiedade vai sempre estar conosco de algum modo por ser um dos muitos sentimentos que vamos ter na vida, e ela tem sua função também, só não podemos mesmo mergulhar nela de cabeça, o que por vezes é bem difícil. Mas com persistência, acredito que não só eu, nós iremos conseguir!

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